Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de novembro de 2016

Investidores...



Só 6% dos serviços de medicina nuclear são públicos, segundo dados da SBMN



  • 13/11/2016 11h35
  • São Paulo
Flávia Villela* - Repórter da Agência Brasil
Pouco conhecida pela maioria da população, a medicina nuclear é hoje fundamental para o diagnóstico de vários tipos de cânceres e doenças do coração. Entretanto, somente 6,3% dos serviços dessa tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS) são públicos. Os dados são da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) com base no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). O tema foi abordado nesse sábado (12) durante o 2º Fórum dos Pacientes do 30º Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear.

Segundo o presidente da SBMN, Claudio Tinoco Mesquita, os demais serviços são privados e também contratados pelo SUS. “Como a tabela do reembolso desses serviços não é reajustada desde 2009, muitos estão parando de atender. Já ouvi diretor de hospital dizer que medicina nuclear dá prejuízo”, disse Tinoco. “É muito injusto, porque quem produz é o governo e essa produção feita com alta tecnologia acaba servindo, sobretudo, ao setor privado”, completou.

A medicina nuclear utiliza quantidades mínimas de substâncias radioativas - os chamados radiofármacos - para obter imagens e oferecer tratamentos precisos para diversas doenças e, em alguns casos, seu uso pode ser decisivo na cura do paciente. Márcio Salmázio, de 48 anos, foi diagnosticado com câncer de próstata no início do ano. “A doença já estava avançada, estava com metástase nos gânglios linfáticos. Meu primeiro médico falou que nem iria me operar, que meu caso era apenas tratamento paliativo”, afirmou. Após trocar de médico, ele fez um exame conhecido como PSMA, que identificou que a metástase poderia ser revertida. “Fiz um exame há 15 dias e estou zerado.”

O exame não está incluído nem no SUS nem na saúde complementar e custa cerca de R$ 4.500. “Infelizmente, é um exame caro e poucas pessoas têm acesso a ele. Fico pensando quantas pessoas acabam morrendo porque não podem fazer esse exame, não recebem devido tratamento”, destacou Salmázio.  

O câncer de próstata é o segundo mais frequente entre homens. De acordo com médica nuclear do Hospital Israelita Albert Einstein, Akemi Osawa, a nova tecnologia está revolucionando os paradigmas do diagnóstico e do tratamento. “Em algumas situações, o paciente está há anos achando que tem metástase no osso e quando fazemos o PSMA, não estava no osso. É um impacto avassalador. Torço para que essa tecnologia seja difundida a galope”.

A grande assimetria entre o acesso no serviço público e no privado foi também discutida no fórum. “Dos 150 milhões de usuários do SUS, temos 228 cintilografias cardíacas. E dos cerca de 51 milhões de usuários da saúde suplementar, temos 800 mil cintilografias cardíacas”, disse Tinoco. Para quem tem plano de saúde, o uso de cintilografia cardíaca está na faixa de 1.683 procedimentos para cada 100 mil habitantes, e, no SUS, ela cai para 150 para cada 100 mil habitantes.

Mais de 430 clínicas oferecem exames traçadores no país, e o número vem crescendo cerca de 5% anualmente. A este ritmo, o SUS só alcançará mesma taxa de utilização da saúde suplementar daqui a 50 anos, destacou o Tinoco.

A representante de o Instituto Vencer o Câncer, Rita de Cassia Domingues, disse que, mesmo na saúde suplementar, os pacientes têm encontrado muita dificuldade para marcar exames. “Muitas vezes o médico não solicita exames importantes porque o plano de saúde não paga. O rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde deveria ser um direcionamento e não um teto. Esta é a grande preocupação da sociedade civil organizada”, destacou. Os serviços de medicina nuclear estão concentrados nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

A representante da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Mariana Cavalcante, lembrou que o acesso a esse tipo de tecnologia é ainda pior nas regiões Norte e Nordeste. “Dos 40 centros que realizam PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons), 14 ficam na Região Sul e 17 na Região Sudeste. Na Norte não tem nenhum centro que realiza o exame, segundo dados do SUS de 2015,” disse.

PET
O PET é um dos principais avanços da medicina nuclear e vem contribuindo para diminuir o número de cirurgias desnecessárias para a remoção do tumor e diminuindo gastos no SUS. 

De setembro do ano passado a agosto deste ano, segundo o Datasus, nenhum PET foi feito na Região Norte e em vários estados, inclusive no Rio de Janeiro. Ao todo foram feitos 12 mil exames nesse período, menos 0,1 para cada 100 mil habitantes, bem abaixo de países vizinhos como o Uruguai e a Argentina. Na saúde suplementar, essa taxa é de 16 por 100 mil habitantes.

A Agência Nacional de Saúde prevê o uso do exame na saúde suplementar para apenas oito indicações de câncer. Em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, a indicação passa de 50. No SUS, o exame só está autorizado para três tipos de doenças: linfoma, câncer de pulmão e câncer de cólon com metástase hepática. Além do PET, mais 52 procedimentos ambulatoriais são oferecidos gratuitamente no sistema público de saúde, além de 20 radiofármacos. Existem hoje cerca de 150 equipamentos de PET no Brasil.

 
*A repórter participou do congresso a convite da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear
Edição: Aécio Amado

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tragédia no sistema cooperativista médico



Sem receber, médicos da Unimed Paulistana temem assumir dívida bilionária
Por Vitor Sorano - iG São Paulo | 22/11/2015 07:00 - Atualizada às 23/11/2015 15:23
Lei prevê que cooperados podem ter de arcar com o prejuízo se bens da organização forem insuficientes; grupo monta associação para evitar a cobrança.




Claro que lamentamos profundamente toda e qualquer derrocada, principalmente se vem de alternativas comerciais nas quais acreditamos, cooperativa. Mas no Brasil é muito complexo o funcionamento, as cobranças, ficando apenas a obrigação para seus cooperados. Funciona apenas as cooperativas de grupos muito ricos. Era o caso dessa UNIMED, afinal a maior de todas, a UNIMED PAULISTA. Se ela faliu e vai sobrar para seus cooperados, a lei diz e será aplicada, imagine então as outras UNIMEDS desse BRASIL sem regras. O governo deveria ordenar e cobrar auditorias, que vao desnudar um sistema seguramente falido e caótico.  Somos auditores e temos visto coisas inacreditáveis. Um exemplo nacional é o caso do PANAMERICANO. Todos devem estar preparados, se esta faliu, outras estão doentes. A prevenção agora seria o melhor remédio. (Grifo de PAULO SOUZA, autor do blog. A matéria foi retirada do IG).
 


 Vitor Sorano/iG - 17.11.15 - Luiz Fernando Pinheiro Franco, neurologista: arcar com a dívida da Unimed seria "destruição total"


O endereço de Higienópolis continua nos receituários, mas o neurologista Luiz Fernando Pinheiro Franco hoje atende exclusivamente na Vila Olímpia, no consultório do filho, que também tem lhe passado os pacientes. Os seus, que assim como o médico dependiam da Unimed Paulistana, desapareceram.

"Eu tinha 20 consultas por dia e a última que fiz foi há uma semana", conta o neurologista, em frente aos diplomas do filho, onde se exaspera ante às mudanças recentes na vida profissional e pessoal. "Empregada doméstica demitida, jardineiro demitido, guarda demitido. Eu tinha uma viagem a trabalho para a Alemanha e tive de cancelar."

Após anos de dificuldades financeiras oficialmente reconhecidas pelo governo federal, a Unimed Paulistana foi obrigada em 2 de setembro a se desfazer de seus então cerca de 740 mil clientes pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A transferência deles para outras operadoras, como é previsto na legislação para casos como esses, está longe de ser tranquila. A lei previa a venda da carteira, o que garantiria a manutenção das condições de preço e cobertura contratadas pelos beneficiários, mas a operação não foi bem sucedida. Quem pertencia ao plano coletivo com mais de 30 vidas recebeu propostas para migrar para outras Unimeds com preços até 80% superiores. Entre os demais, um processo de portabilidade que deveria acabar no final de outubro vai se estender até janeiro de 2016, pelo menos.


 Vitor Sorano/iG São Paulo - Sem pacientes, médicos da Unimed Paulistana convivem com consultórios vazios e dívidas

E, se a recolocação para os clientes tem sido turbulenta, para os cerca de 2,5 mil médicos da cooperativa ela nem sequer existe. Além de perderem o plano de saúde, eles ficaram sem os rendimentos mensais. Para boa parte, os únicos pois a Paulistana, conta Pinheiro Franco, estimulava os médicos a se dedicarem exclusivamente à operadora. Afinal, tratava-se de uma das maiores do segmento inserida num sistema de mais de 350 cooperativas com milhões de beneficiários.

"Dos 2,5 mil médicos, 1.200 dependiam exclusivamente da Paulistana. Viviam disso", diz Ângelo Vattimo, ex-conselheirio fiscal da Paulistana. "Muitos consultórios estão fechando, funcionários estão sendo demitidos."

Para Pinheiro Franco, a ANS deveria ter optado pela intervenção na companhia para tentar salvá-la, em vez de determinar a venda da carteira. Em nota, a agência alega que a medida não é possível, e que cumpriu os regimes estabelecidos na lei.

Associação
O fechamento do consultório de Higienópolis após 30 anos de operação, a perda dos 3 empregados domésticos, entretanto, são passado para o neurologista Pinheiro Franco. O que – também – o preocupa é o futuro da Unimed Paulistana.

Como em qualquer cooperativa, os integrantes da operadora dividem tanto os lucros, mas também são responsáveis pelas dívidas que superam o R$ 1 bilhão. Se a Paulistana não tiver ativos suficientes para arcar com a bolada – que pode ser maior –, a conta pode recair sobre os cooperados.

A lei prevê que cada cooperado arque, no máximo, com o valor de suas cotas, exceto para os diretores, que alguns juízes têm obrigado a assumir dívidas superiores a esse limite. No caso de processos trabalhistas, entretanto, mesmo o cooperado comum pode ter bens para além das cotas bloqueados, diz a presidente da Associação Brasileira de Direito Médico e da Saúde, Sandra Franco.

 Elza Fiuza/Agência Brasil
Dos 2,5 mil médicos, 1.200 dependiam exclusivamente da Unimed Paulistana

"[Na Justiça trabalhista] é bastante comum que os bens dos cooperados possam ser atingidos se não houver possibilidade comprovada de a cooperativa realizar o pagamento. E, muitas vezes, pode ocorrer o bloqueio de bens sem um aviso prévio aos cooperados", afirma.

Os prejuízos sofridos e temor dos que podem vir levaram mais de 500 cooperados da Unimed Paulistana procurarem a Associação Paulista de Medicina desde a decretação da alienaçao da carteira da operadira, diz Marun David Cury, diretor-adjunto de defesa profissional da entidade. A história, porém, é favorável aos médicos, avalia o médico.
"Quando a Unimed São Paulo faliu [no fim dos anos 1990], constituiu-se uma banca de advogados para defendê-los. Apesar de serem sócios que teriam responsabilidades [com as dívidas], nenhum colega foi citado [pela Justiça para fazer pagamentos]", afirma Cury.

Leia também:
O mesmo movimento é feito agora pelos cooperados da Paulistana. Um grupo de médicos da operadora com o ex-conselheiro fiscal Ângelo Vattimo à frente começa a colocar de pé uma associação que tem entre suas primeiras tarefas encontrar um bom escritório de advocacia.

"Não creio que os cooperados possam vir a ser responsabilizados. [Mas] se os ativos não cobrirem, pode ser pedida uma dissolução e nesse caso, creio eu, talvez, os cooperadado possam vir a ser [responsabilizados]", diz, num misto de tranquilização e alerta. "Mas há entendimento de que a responsabilidade se limitaria às cotas. Nós vamos lutar para isso, para que se restrinjam às cotas."

Nesse cenário menos pior, o neurologista Pinheiro Franco calcula que teria de desembolsar entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.

"Seria a destruição total, a anilquilação completa da gente como pessoa. Eu não tenho esse dinheiro."